Transformação que faz a diferença: projeto do Grupo Pereira já reinseriu mais de 800 egressos no mercado de trabalho e anuncia expansão
Focado em empregabilidade e inclusão, o “Reeducandos” oferece capacitação e remuneração, agora com oportunidades para auxiliar de cozinha na rede de restaurante Trudy’s
O debate sobre a efetividade na ressocialização e inclusão produtiva da população carcerária ganha cada vez mais espaço no Brasil, onde o contingente já ultrapassa 960 mil pessoas privadas de liberdade. Mas, mesmo avançando nas últimas décadas, o país ainda enfrenta muitos obstáculos para a reinserção dos egressos no mercado de trabalho. Menos de 30% deles têm acesso à atividade laboral, segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais e o preconceito ainda é uma das principais barreiras ligadas à carência na oferta de oportunidades.
Remando na contramão dessa estatística e mostrando o papel do setor corporativo nas pautas de impacto social, o Grupo Pereira, consolida em 2026 o projeto “Reeducandos”, uma ponte estruturada entre o sistema prisional e o mercado formal de trabalho, que desde 2014 já transformou a realidade de mais de 700 pessoas. A iniciativa já ativa nas bandeiras Fort Atacadista e Comper, e que está com 100 vagas abertas em várias regiões do país, expande suas atividades para o restaurante Trudy’s, com 36 oportunidades para auxiliar de cozinha, pelas regionais do Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
Com foco em capacitação, inclusão e interrupção do ciclo de reincidência criminal por meio da geração de renda, o projeto conta, hoje, com 260 reeducandos ativos prestando serviços para a companhia nas diversas unidades espalhadas pelo Brasil. Os profissionais são integrados em diferentes frentes do negócio, desenvolvendo habilidades em áreas como logística, manutenção, apoio operacional, televendas e nos centros de distribuição.
Jessica Santos é uma das novas colaboradoras do Trudy’s e vê na oportunidade uma chance de se profissionalizar na culinária e dar uma nova vida para os quatro filhos que deixou quando foi presa, há seis anos. “Hoje sou ajudante de cozinha no restaurante da rede Fort, mas quero aprender mais aqui, crescer na empresa e quem sabe me tornar uma cozinheira reconhecida no futuro. Seria um sonho realizado e foi o grupo Pereira que me deu essa nova profissão”, diz Jessica.
Os trabalhadores selecionados, mediante parcerias com as secretarias de administração penitenciária locais, contam com remuneração financeira, alimentação, transporte, uniformes, além de trilhas de capacitação e desenvolvimento, onde recebem orientação sobre ressocialização, comportamento no ambiente de trabalho e educação no processo de transformação. Eles também garantem o direito à remição de pena (redução de um dia de condenação a cada três dias trabalhados).
Transformando futuros
Com oportunidades reais de desenvolvimento profissional e promoções internas, o projeto já efetivou outras dezenas de profissionais em contratos CLT, na última década. Como é o caso de Geovane Malheiro, que entrou para o programa em 2024, começou trabalhando na rede Fort Atacadista como conferente, em um ano passou para gerenciador de mercearia e, hoje, com o fim da sua sentença, assinou sua efetivação e já aguarda uma nova promoção.
De acordo com Geovane, sua vivência no “Reeducando”, além de lhe devolver perspectiva, autoestima, ensinar um novo ofício e ajudá-lo a alcançar a renda que hoje contribui com o sustento de sua família, também o incentivou a buscar crescimento profissional. O jovem conta que está cursando o ensino superior em gestão empresarial e destaca diferenciais do projeto que lhe fizeram voltar a ter esperança em um futuro promissor.
“Desde o início me identifiquei com os valores, o ambiente, os colaboradores e as oportunidades oferecidas. Isso fortaleceu minha vontade de crescer na equipe e construir uma trajetória na empresa. Mas, uma das coisas que mais me cativou foi o cuidado com a não identificação dos reeducandos para os clientes, justamente para nos preservar e evitar preconceitos. Eu fui inserido na equipe, acolhido pela chefia e tratado como um funcionário como qualquer outro, sem discriminação, com todas as chances de desenvolvimento, o que fez toda a diferença no meu processo de superação pessoal. Hoje estou sendo assistido para me tornar uma liderança dentro do grupo”, relata Geovane.
Gabrielli Teixeira é outro exemplo de como o programa apoia a reintegração destes cidadãos na prática. Ela, que chegou ao sistema prisional ainda com 18 anos, teve sua primeira experiência formal de trabalho dentro do projeto e hoje, depois de algumas promoções, ocupa o cargo de gerenciadora de perfumaria e bazar em uma unidade do grupo Pereira, em Mato Grosso do Sul.
“Quando me vi naquela situação, prometi para mim mesma que nunca mais passaria por aquilo de novo, eu ia sair um dia e não voltaria mais. Eu só queria estar em liberdade, conseguir um bom emprego e ser registrada. Com a oportunidade de fazer parte do Reeducando eu tive certeza que essa mudança de vida era possível e hoje estou finalmente me reerguendo”, conta Gabrielli.
Gestão que se importa
Do ponto de vista de gestão de pessoas, o programa é encarado como um motor de dignidade. Kariny Santos, Coordenadora Nacional de Gente e Gestão do Grupo Pereira, reforça que a oferta de trabalho formal é uma importante ferramenta para devolver a autonomia aos egressos e tornar mais efetiva a ressocialização. Segundo a gestora, é importantíssimo não apenas entender o papel das empresas no apoio às políticas públicas, mas gerar cada vez mais oportunidades reais, para promover transformações reais, que beneficiam toda a sociedade.
“Participar deste projeto, realizando a integração, conscientizando as lideranças e proporcionando novas oportunidades, é gratificante pessoal e profissionalmente. Ver pessoas recomeçando suas trajetórias com mais confiança e dignidade, reforça que nosso maior investimento sempre será nas pessoas. É motivo de muito orgulho saber que estamos impulsionando esse movimento de impacto social no mercado brasileiro, contribuindo com a quebra do estigma na hora da contratação definitiva”, reflete Kariny Santos.
De acordo com a gestora, o grupo também se preocupa em gerar oportunidades que integrem a população 50+ no mercado de trabalho formal. Mais de 17% dos profissionais que trabalham na rede estão nessa faixa etária, como é o caso de Francisco Nogueira, que chegou ao sistema prisional aos 28 anos e passou a fazer parte do projeto Reeducandos em 2023. Hoje, com 56 anos e ocupando o cargo de auxiliar de perecíveis na rede Comper, o cearense reflete sobre o impacto do trabalho na sua trajetória rumo à liberdade.
“Para mim foi muito importante ter a oportunidade de trabalhar nesse momento da minha vida, ser visto além da minha condição, como alguém disposto a aprender uma nova função, ser qualificado de verdade para o trabalho e ainda ser remunerado, podendo ajudar a minha família com o fruto desse trabalho, isso muda a vida da gente. Por isso, eu abracei essa porta aberta e tenho me dedicado para continuar trabalhando para o grupo quando terminar de cumprir a minha pena, em breve”, afirma Francisco.
Sobre o Grupo Pereira
Fundado em 1962, na cidade de Itajaí, em Santa Catarina, o Grupo Pereira completa 64 anos de história em 2026. Atualmente, conta com 26 mil funcionários nas regiões do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.
O Grupo Pereira tem 195 unidades de negócio, incluindo 40 lojas da rede de supermercados Comper, 78 lojas do Fort Atacadista (atacarejo), 25 unidades do restaurante Trudy’s e uma steakhouse, 3 filiais do Atacado Bate Forte (atacadista de distribuição), 30 lojas SempreFort (varejo farmacêutico), um Broker – distribuidor oficial da Nestlé -, 5 agências de viagens, 3 postos de combustível e um Centro de Distribuição. Além disso, o Grupo Pereira completa seu ecossistema de soluções ao incluir o braço logístico Perlog e os serviços financeiros do Vuon, que inclui o private label Vuon Card, com mais de 1,6 milhão de cartões emitidos, além de gift cards, seguros e assistência odontológica.
Em 2026, a companhia entrou para o Top 10 do Prêmio de Inclusão Socioeconômica, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e virou signatária do Pacto Global da ONU. O Grupo também foi a primeira varejista brasileira a conquistar o selo internacional CAFE (Certified Age Friendly Employer), voltado à valorização e inclusão de profissionais 50+.





